Em 2017, Jamie Dimon disse que demitiria qualquer funcionário pego comprando Bitcoin.

Em 2026, ele escreveu na carta anual do JPMorgan — o maior banco dos Estados Unidos:

"Precisamos lançar nossa própria tecnologia de blockchain."

O que mudou em 9 anos?

Não foi o Bitcoin que convenceu o Dimon. Foi o que está sendo construído em cima da tecnologia que sustenta o Bitcoin — a blockchain.

E o que está sendo construído nessa infraestrutura?

→ Stablecoins — moedas digitais pareadas ao dólar, que já movimentam mais dinheiro que a Visa em alguns dias. Imagine enviar dólares para qualquer lugar do mundo em segundos, sem pagar taxas de câmbio ou esperar 3 dias úteis.

→ Smart contracts — programas que executam operações financeiras automaticamente quando certas condições são cumpridas. Sem intermediário, sem burocracia, sem horário comercial.

→ Tokenização — o processo de transformar ativos tradicionais (como títulos do governo, imóveis ou cotas de fundos) em versões digitais que podem ser negociadas 24/7 e liquidadas em segundos, em vez de dias.

Na carta aos acionistas, Dimon colocou essas tecnologias lado a lado com Revolut, Stripe e Block como ameaças competitivas reais ao JPMorgan.

Numa carta do JPMorgan para os acionistas, cada palavra é pesada e revisada dezenas de vezes. Essa equiparação é 100% deliberada.

Mas o que mais chamou minha atenção foi a autocrítica.

Dimon admitiu que o tamanho do banco pode ser uma desvantagem. Que startups começam pequenas, com um único produto, mas escalam rápido. Que burocracia gera arrogância e dificulta enxergar o mundo pelos olhos do cliente.

Palavras fortes para o CEO de um banco com US$ 4 trilhões em ativos.

E o JPMorgan já está se movendo. Eles já têm o JPM Coin — uma stablecoin que processa transferências institucionais em tempo real. E em dezembro lançaram um fundo de investimento tokenizado no Ethereum (a segunda maior rede blockchain do mundo) com US$ 100 milhões de capital próprio.