Fundos cripto no Brasil receberam R$ 5 milhões na semana e acumulam US$ 62 milhões em aportes no ano, mesmo com saída global

Os fundos de criptomoedas registraram saídas líquidas de US$ 1,07 bilhão (R$ 5,4 bilhões) na semana passada, interrompendo uma sequência positiva de seis semanas positivas e registrando o terceiro maior resgate semanal de 2026, à medida que o renovado risco geopolítico ligado ao Irã levou os investidores institucionais a reduzirem sua exposição, de acordo com o relatório semanal de fluxo de fundos da CoinShares.

Segundo relatório da empresa, o aumento da aversão ao risco ligado às tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, levou investidores institucionais a reduzirem exposição a criptoativos.

Enquanto isso, os fundos negociados no Brasil foram na contramão e registraram entradas líquidas de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) na última semana. Além do aporte semanal, o país acumula entradas líquidas de US$ 900 mil no mês e de US$ 62 milhões no ano. O total de ativos sob gestão em produtos cripto no Brasil chegou a US$ 1,32 bilhão, mantendo o país na sexta posição global no ranking da CoinShares.

O resultado reforça um padrão observado em outros momentos recentes: investidores brasileiros têm mantido apetite por fundos cripto mesmo em semanas de maior pessimismo internacional.

Desta vez, o movimento ocorreu enquanto os Estados Unidos concentraram praticamente toda a pressão vendedora global, com saques líquidos de US$ 1,14 bilhão. Na direção contrária, além do Brasil, Suíça, Alemanha, Holanda, Austrália e França também registraram entradas líquidas no período.

Bitcoin e Ethereum puxam saídas globais

A maior parte dos resgates globais ficou concentrada nos produtos de Bitcoin, que registraram saídas líquidas de US$ 981,5 milhões, quase todas em fundos listados nos Estados Unidos. Os ETFs de Bitcoin à vista também encerraram sua própria sequência positiva, com cerca de US$ 1 bilhão em saques na semana, segundo dados da SoSoValue citados no relatório.

Os fundos de Ethereum também sofreram, com retiradas líquidas de US$ 249,3 milhões, o maior volume semanal de saídas desde janeiro. ETFs ligados a ações de empresas de blockchain acompanharam o movimento de aversão ao risco e perderam US$ 133 milhões no agregado.

Apesar disso, os investidores não abandonaram completamente a classe de ativos. Produtos de XRP atraíram US$ 67,6 milhões em entradas líquidas, enquanto fundos de Solana receberam US$ 55,1 milhões. Também houve aportes em produtos ligados a Sui, Chainlink e cestas multiativos, indicando uma busca seletiva por exposição a altcoins em vez de uma saída generalizada do mercado cripto.

Entre as gestoras, os maiores saques ficaram com produtos da BlackRock, que perderam US$ 487 milhões, seguidos por ARK 21Shares, com US$ 323 milhões, e Fidelity, com US$ 305 milhões. Na outra ponta, Bitwise, 21Shares e CoinShares registraram entradas de US$ 25 milhões, US$ 23 milhões e US$ 6 milhões, respectivamente.

O relatório também aponta que notícias relacionadas ao avanço da Lei Clarity, projeto de lei que busca estabelecer um marco regulatório para criptoativos nos Estados Unidos, ajudaram a limitar parte da pressão negativa. Ainda assim, o efeito foi insuficiente para compensar a cautela dos investidores diante do cenário geopolítico e da queda recente do Bitcoin, que chegou a recuar abaixo de US$ 77 mil em meio às ameaças do presidente Donald Trump ao Irã e a temores de inflação.#Criptomonedas #ETFs