Interpol encerra força-tarefa internacional que investigava crimes com criptomoedas na exploração de pessoas
A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) finalizou nesta sexta-feira (19) um grupo de trabalho após investigadores de sete países europeus levantarem indícios do uso de criptomoedas em esquemas ligados à exploração humana.
A ação conjunta mirou principalmente plataformas de conteúdo por assinatura na internet, que estariam sendo usadas como meio para práticas de tráfico de pessoas e exploração em ambientes digitais pagos.
A operação contou também com a participação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), dentro de um esforço coordenado chamado Operação CyberProtect III, que durou quatro dias.
Redes de golpes em plataformas de assinatura entram na mira
Durante as investigações, as autoridades identificaram redes de aliciamento atuando em sites de venda de conteúdo íntimo. Segundo os levantamentos, grupos criminosos utilizam falsas agências de modelos para atrair mulheres com promessas de ganhos fáceis.
Após o primeiro contato online, os criminosos assumem o controle das contas das vítimas e passam a reter grande parte dos valores gerados, além de aplicar pressão psicológica para incentivar a produção contínua de novos conteúdos.
O modelo fechado dessas plataformas dificulta o rastreamento dos responsáveis e ajuda a esconder a identidade dos envolvidos.
Há ainda indícios de que essas redes vendem cursos ensinando outros indivíduos a explorar perfis femininos para obtenção de lucro.
Quatorze agentes participaram do trabalho conjunto de rastreio, analisando dados em aplicativos de mensagens com criptografia, em uma espécie de “hackathon” cibernético usado por forças de segurança.
Criptomoedas e emojis usados para esconder transações
Os investigadores também localizaram fóruns com cerca de 28 mil anúncios relacionados à compra e venda de perfis de produtores de conteúdo. Ao todo, 34 casos foram classificados como suspeitos e 27 vítimas foram identificadas sob controle dessas redes.
As transações financeiras eram realizadas com criptomoedas, fora do sistema bancário tradicional, dificultando o rastreamento dos lucros ilícitos.
Em alguns casos, emojis — como símbolos de diamante — eram usados como forma de codificar pagamentos e transferências de valores.
As autoridades também apontaram cobranças de cerca de US$ 3 por sessões de 25 minutos de vídeo em ambientes fechados.
Relatórios indicam ainda que parte dessas redes atua com forte presença na América do Sul e utiliza ferramentas de inteligência artificial para criação de perfis falsos e imagens sintéticas, ampliando o alcance das fraudes e da exploração.

Resultados da operação abrem novas frentes de investigação internacional
O diretor da divisão de crimes da Interpol destacou que os resultados da cooperação entre as forças policiais já estão gerando novas ordens de busca e aprofundamento das investigações em vários países da Europa.
Segundo David Caunter, cada pista encontrada durante a operação abre caminho para novas linhas de trabalho, ampliando as chances de desmontar estruturas criminosas financiadas por recursos de origem oculta.
A troca de informações entre os países envolvidos tem ajudado a aproximar as autoridades dos principais responsáveis pelos esquemas de exploração na internet. Especialistas apontam que as limitações de jurisdição ainda dificultam algumas ações, mas a cooperação internacional vem reduzindo essas barreiras.
A integração entre diferentes forças de segurança fortalece o cerco contra fraudes em ambientes digitais fechados, onde criminosos tentam se esconder atrás de plataformas privadas e criptografadas.
Autoridades também alertam que usuários de criptomoedas precisam ter atenção redobrada com transações feitas com intermediários desconhecidos, muitas vezes usados como fachada por grupos ilegais.
Por outro lado, as investigações mostram que o avanço das ferramentas digitais também tem permitido maior capacidade de rastreamento, ajudando as forças policiais a seguir o rastro de códigos e movimentações financeiras a cada nova operação concluída.
O fortalecimento desses mecanismos de investigação busca garantir um ambiente online mais seguro, com maior proteção aos usuários e combate contínuo a redes criminosas.
As instituições europeias seguem ampliando medidas legais para bloquear o fluxo de recursos desviados de vítimas e enfraquecer a atuação dessas organizações na internet.$TSLAB ,$HOME ,$PEPE
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