Bernie Sanders, senador dos Estados Unidos, apresentou na última quinta-feira (18) um projeto de lei que pretende cobrar uma taxa das empresas de Inteligência Artificial (IA) e repartir parte da riqueza gerada por elas com a população americana.
Pela proposta, o governo teria uma participação de 50% nos lucros dessas companhias. Com isso, a expectativa é que cada cidadão dos EUA possa receber cerca de US$ 1.000 por ano, valor que hoje equivale a aproximadamente R$ 5,1 mil.
Segundo Sanders, a justificativa é que a inteligência artificial foi construída com base no conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos anos. Livros, músicas, programas de computador, conversas e obras de arte serviram de base para o treinamento dessas tecnologias. Por isso, ele defende que os benefícios econômicos também sejam compartilhados com a sociedade.
O senador argumenta que a IA deve ser tratada como um recurso público, já que sua capacidade vem da contribuição coletiva de milhões de pessoas. Na visão dele, não seria justo que apenas um pequeno grupo de empresas e investidores concentrasse toda a riqueza gerada por essa revolução tecnológica.
Para reforçar sua ideia, Sanders lembra do Fundo Permanente do Alasca, criado há cerca de 50 anos com receitas provenientes da exploração de petróleo. Desde então, os moradores do estado recebem pagamentos anuais. Nos últimos anos, os valores chegaram a US$ 3.284 por pessoa em 2022, US$ 1.312 em 2023, US$ 1.702 em 2024 e US$ 1.000 em 2025.
De acordo com outro documento apresentado pelo senador, um fundo nacional abastecido pelos lucros da IA poderia alcançar um patrimônio estimado em US$ 7 trilhões. Com um rendimento anual de 5%, seria possível distribuir mais de US$ 1.000 por ano para cada americano.
Embora a proposta de taxar as empresas em 50% possa enfrentar resistência do setor, o texto destaca que algumas das maiores referências da indústria já defenderam iniciativas parecidas.
Entre os exemplos citados estão a OpenAI, criadora do ChatGPT, que já sugeriu um fundo de riqueza pública para permitir que todos os cidadãos participem dos ganhos da IA; a Anthropic, responsável pelo Claude, que propôs um fundo soberano para distribuir de forma mais equilibrada os benefícios da tecnologia; e o bilionário Elon Musk, que já mencionou a possibilidade de uma renda universal financiada pelo governo para amenizar os impactos da automação e da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho.

O trecho que menciona Elon Musk faz referência a uma publicação feita por ele em abril deste ano. Na ocasião, o bilionário defendeu que uma renda universal elevada, paga por meio de cheques do governo federal, seria a melhor alternativa para enfrentar o desemprego provocado pelo avanço da inteligência artificial.
Segundo Musk, esse modelo não causaria inflação. Na avaliação dele, a produção de bens e serviços gerada pela combinação de IA e robótica cresceria em um ritmo muito maior do que o aumento da quantidade de dinheiro em circulação. Por isso, ele acredita que seria possível distribuir renda à população sem provocar uma alta generalizada dos preços.

Mesmo com a proposta de dividir parte dos ganhos da inteligência artificial com a população, Elon Musk já demonstrou ser contrário às ideias defendidas por Bernie Sanders em outras ocasiões. Em uma de suas críticas, o empresário chegou a comparar o senador ao “xerife malvado” das histórias de Robin Hood, por apoiar impostos mais altos sobre grandes fortunas.
Em dezembro de 2025, Musk voltou a rebater Sanders ao afirmar que sua riqueza cresce porque suas empresas desenvolvem produtos e serviços que geram valor para a sociedade. Segundo ele, sua fortuna está diretamente ligada à criação de soluções úteis para as pessoas.
Na publicação, Musk argumentou que sua riqueza só aumenta quando consegue produzir mais bens e serviços para o público. Ele também criticou políticos que, em sua visão, dependem da arrecadação de impostos em vez da criação de novos produtos, dizendo que prefere ser visto como alguém que constrói e produz, e não como alguém que apenas retira recursos da economia.

Por fim, com a inteligência artificial avançando cada vez mais rápido e transformando diferentes áreas da economia, a tendência é que discussões sobre impostos, distribuição de riqueza e impactos no mercado de trabalho continuem ganhando força nos próximos anos. À medida que a tecnologia evolui, governos, empresas e a sociedade devem seguir debatendo qual é a melhor forma de dividir os benefícios gerados por essa nova revolução digital.$POL ,$NVDAB ,$ROBO
