O Bitcoin e outras criptomoedas amanheceram em queda nesta terça-feira (23), acompanhando o mau humor das ações de tecnologia. O movimento mostra que os investidores estão ficando mais cautelosos com aplicações consideradas de maior risco.
A principal criptomoeda do mercado chegou a testar a faixa dos US$ 62 mil, marcando o menor patamar das últimas duas semanas e acumulando recuo de 4% nas últimas 24 horas. Já Ethereum, XRP e Solana sentiram ainda mais a pressão, registrando perdas superiores a 5% no mesmo período.
O clima negativo também tomou conta de Wall Street. O índice Nasdaq, fortemente ligado às empresas de tecnologia, caminhava para uma queda de 1,6%, puxado principalmente pelas fabricantes de chips, como Micron Technology e SanDisk. Antes disso, bolsas da Coreia do Sul e do Japão também já haviam fechado no vermelho, refletindo a fraqueza do setor tecnológico global.
Nem mesmo a SpaceX escapou da correção. Depois da forte valorização inicial, as ações da empresa ligada a Elon Musk recuaram 12%, sendo negociadas perto de US$ 156,40. Pouco antes, os papéis haviam alcançado US$ 158, levando o valor de mercado da companhia para perto de US$ 2 trilhões.
Segundo Carlos Guzman, vice-presidente de pesquisa da GSR, o mercado está passando por uma realização de lucros no setor de inteligência artificial, e as criptomoedas estão acompanhando esse sentimento de maior aversão ao risco.
Na avaliação dele, os investidores estão cada vez mais convencidos de que os juros americanos podem continuar subindo, o que reduz o interesse por ativos mais arriscados. Isso ocorre após um período em que as ações de tecnologia resistiram bem às tensões geopolíticas no Oriente Médio e às incertezas econômicas globais.
Outro fator que pesa sobre os mercados são as primeiras sinalizações de Kevin Warsh à frente do Federal Reserve. O novo presidente do banco central americano indicou que a instituição seguirá firme no combate à inflação, reforçando a possibilidade de novas altas nos juros.
Hoje, muitos operadores já trabalham com a expectativa de que a taxa básica dos Estados Unidos fique entre 3,75% e 4% após a próxima reunião de julho. Para Gerry O’Shea, da Hashdex, isso pode manter o Bitcoin oscilando entre US$ 60 mil e US$ 70 mil por algum tempo.
Ele ressalta que um ambiente de política monetária mais rígida costuma prejudicar o desempenho de criptomoedas e outros ativos de risco no curto prazo, já que os títulos do governo passam a oferecer retornos mais atrativos aos investidores.
Mesmo assim, alguns indicadores mostram que o mercado ainda mantém uma visão positiva para o Bitcoin. Dados da Hyperliquid analisados pela Glassnode apontam aumento das apostas de alta na criptomoeda.
O’Shea acredita que dois fatores podem ajudar o mercado ainda neste ano: uma redução adicional das tensões entre Estados Unidos e Irã e o avanço do Clarity Act, projeto que busca criar regras mais claras para o setor de criptoativos.
No entanto, o relógio está correndo em Washington. Caso o projeto não seja aprovado até agosto, especialistas temem que a pauta fique travada por tempo indeterminado, já que o foco dos parlamentares deve se voltar para as eleições de meio de mandato previstas para novembro.
