Desenvolvedores e pesquisadores do Bitcoin apresentaram o BIP-361, uma ideia que quer ir cortando aos poucos o uso de endereços que podem ser atacados por computadores quânticos. A preocupação maior é com endereços antigos, tipo os P2PK, que já deixaram a chave pública exposta na blockchain.
O medo é que, no futuro, a computação quântica fique forte o bastante pra descobrir a chave privada só a partir desses dados públicos, abrindo espaço pra roubo de fundos.
A proposta fala numa mudança por etapas. Primeiro, não dar mais pra enviar dinheiro pra esses endereços mais frágeis, forçando a migração pra formatos novos e mais seguros. Depois, numa data já combinada, transações com assinaturas antigas como ECDSA e Schnorr deixariam de valer, travando de vez esses fundos antigos. Mais pra frente, ainda se discute até a possibilidade de recuperar esses valores usando mecanismos ligados à frase-semente.
Os autores dizem que o Bitcoin atual não foi feito pensando nesse tipo de ameaça. Eles citam estimativas de que computadores quânticos capazes de quebrar criptografia podem aparecer entre 2027 e 2030, e lembram que mais de 34% dos bitcoins já estariam em endereços com chave pública exposta.
Eles também alertam que um ataque desses poderia até passar despercebido no começo, já que alguém poderia roubar as chaves e só mexer nos fundos depois.
No fim das contas, a ideia é criar um cronograma bem definido pra forçar a atualização geral da rede e evitar que o sistema fique parado no tempo. Isso pode mexer com carteiras, exchanges e serviços de custódia, e até com a oferta de Bitcoin se muita gente não atualizar.
O BIP-361 ainda tá sendo debatido e só vai pra frente se a comunidade toda concordar, como acontece com mudanças grandes no protocolo do Bitcoin.
