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Declarações de Donald Trump reacendem temor sobre petróleo, inflação e juros altos por mais tempo

Por Lara Asano, Valor — São Paulo

O bitcoin (BTC) cai nesta quinta-feira (2), num dia de piora do humor global após novas ameaças de escalada militar dos Estados Unidos contra o Irã. Declarações do presidente Donald Trump de que Washington poderá atacar o país “com extrema força” nas próximas duas ou três semanas devolveram os mercados ao modo defensivo e pressionaram ativos mais voláteis, como as criptomoedas.

Por volta das 10h30, o bitcoin era negociado a US$ 66.126,48, com queda de 3,5% nas últimas 24 horas, segundo o CoinGecko. Em reais, valia R$ 341.616,39, de acordo com o CoinTrader Monitor. Entre as principais altcoins, o ether (ETH) era negociado a US$ 2.030,26, com recuo de 4,8% em 24 horas; o XRP valia US$ 1,29, em baixa de 5,1%; a BNB era cotada a US$ 573,67, com perda de 6,9%; e a solana (SOL) saía a US$ 77,46, queda de 7% no mesmo período, também segundo dados do CoinGecko.

Na avaliação de André Franco, CEO da Boost Research, o movimento reflete a volta da aversão ao risco diante da perspectiva de um conflito mais prolongado no Oriente Médio. Segundo ele, a alta do petróleo e o fortalecimento do dólar tendem a apertar as condições financeiras globais e reduzir o apetite por risco, o que pesa sobre o bitcoin no curto prazo.

Para Franco, a permanência do ativo abaixo da região de US$ 70 mil também reforça a fragilidade técnica do mercado e abre espaço para testes entre US$ 65 mil e US$ 69,5 mil nas próximas horas.

Na visão de Rony Szuster, chefe de pesquisa do Mercado Bitcoin, o mercado vive um “cabo de guerra”, em que de um lado tem a guerra no Oriente Médio, o petróleo mais caro e a perspectiva de juros elevados por mais tempo, e de outro, a acumulação por investidores de longo prazo e a retomada das entradas nos ETFs. Na leitura do executivo, esse equilíbrio ajuda a conter quedas mais fortes, embora não elimine o risco de novas correções no curto prazo.

Szuster afirma ainda que o comportamento recente do bitcoin guarda semelhanças com o ciclo de 2021-2022, o que mantém a faixa de US$ 60 mil no radar como suporte importante. Em um cenário mais negativo, a criptomoeda poderia testar níveis próximos de US$ 50 mil. Por outro lado, ele pondera que o mercado hoje conta com uma base compradora mais robusta do que em ciclos anteriores, formada por investidores de longo prazo, ETFs e empresal

Apesar da pressão de hoje, o mercado segue em uma direção incerta. Dados do SoSoValue mostram que os ETFs de bitcoin à vista voltaram a registrar entrada líquida em março, com cerca de US$ 1,2 bilhão, interrompendo uma sequência de quatro meses de saídas. O retorno desse fluxo ajuda a explicar por que o ativo continua encontrando suporte mesmo em um ambiente externo mais adverso.

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