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"A China cresceu mais rápido que seus pares não por sorte, mas por um modelo híbrido: socialismo de planeamento estatal combinado com mercado seletivo, ao passo que os pares adotaram neoliberalismo de privatizações, desregulação e abertura descontrolada. [1][4][10] Em 1980, o PIB da China era semelhante ao do Canadá, México, Argentina e Espanha, mas o caminho escolhido permitiu que ela abrisse um fosso crescente até hoje. [1][4]

A partir de 1978, Deng Xiaoping lançou as Reformas e Abertura, criou Zonas Económicas Especiais (como Shenzhen), mantendo o Estado dono de terra, bancos e sectores estratégicos, liberalizando apenas alguns fluxos de mercado. A descolletivização agrícola e as empresas de vilas e aldeias (TVEs), de propriedade colectiva mas com lógica de mercado, impulsionaram um crescimento médio de 9,8% ao ano entre 1980 e 1990. [1][4][7] Enquanto isso, México e Argentina, pressionados pelo FMI e pelo Consenso de Washington, sofreram crise da dívida, austeridade, hiperinflação e desindustrialização; Espanha e Canadá tiveram desempenho moderado, sem salto de “catch‑up”. [3][6]

Entre 1992 e 2001, com a “Viagem ao Sul” de Deng, a China aprofundou a abertura, atraindo FDI em massa, mas sem abrir totalmente o país: manteve o controlo sobre bancos, energia, transportes e telecomunicações, e investiu massivamente em infraestruturas e educação. A entrada na OMC ocorreu sob proteção estatal, não sob liberalização total, mantendo um crescimento médio de 10,5% ao ano entre 1990 e 2000. [1][4][10] Brasil e Índia, em contraste, ficaram presos à crise de dívida, privatizações mal conduzidas e reformas lentas, o que agravou desigualdade e estagnação industrial. [3][6]

A lição é que um Estado forte, planeador e seletivamente pró‑mercado pode usar o capital estrangeiro sem entregar a soberania económica, enquanto o modelo liberal entregou o comando da economia a mercados globais e ao FMI, gerando volatilidade e dependência. [1][3][9] Angola, que adotou o mesmo tipo de receita neoliberal após 2017"

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