Em 2026, cerca de 25 gestoras de ativos dos EUA oferecem diretamente produtos de cripto (ETFs, trusts ou fundos). No entanto, as cinco maiores gestoras focadas em cripto já administram bem mais de US$ 100 bilhões em produtos de ativos digitais.

Esse domínio reflete o quanto o capital institucional já está inserido no setor de cripto por meio dos ETFs regulamentados.

Cinco empresas concentram quase US$ 100 bilhões em ETFs de Bitcoin

Somente os ETFs de Bitcoin à vista ultrapassaram US$ 86 bilhões em ativos sob gestão combinados até o momento desta reportagem, segundo dados da Coinglass.

A competição entre os emissores se intensificou à medida que guerras de taxas, variedade de produtos e redes de distribuição institucional determinam quem capta mais recursos.

The fee on this will be very interesting. We should know soon. I'm setting over/under at 0.24% which is one bp lower than IBIT. What does @NateGeraci and @JSeyff think?

— Eric Balchunas (@EricBalchunas) March 25, 2026

BlackRock lidera com ampla vantagem

O iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock está em US$ 51,9 bilhões em ativos sob gestão, correspondendo a cerca de 45% de todos os ativos em ETFs de Bitcoin à vista, conforme dados da SoSoValue divulgados. No primeiro trimestre de 2026, o IBIT registrou entradas líquidas de US$ 8,4 bilhões, mais que o dobro de qualquer concorrente.

O fundo mantinha aproximadamente 782.180 BTC em 27 de março de 2026, enquanto o iShares Ethereum Trust (ETHA) adicionou vários bilhões ao total. Isso eleva a exposição total a ETFs de cripto da BlackRock para perto de US$ 60 bilhões.

A ampla rede de distribuição da companhia, com US$ 12,5 trilhões em ativos totais sob gestão, proporciona vantagens estruturais que nenhum concorrente nativo de cripto consegue replicar.

Fidelity ocupa posição sólida em segundo lugar

Enquanto isso, o Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC) da Fidelity administra US$ 12,8 bilhões em ativos, mantendo cerca de 187.813 BTC no início de março, enquanto o Ethereum Fund (FETH) supera US$ 1,3 bilhão.

A Fidelity atraiu US$ 4,1 bilhões em entradas líquidas no primeiro trimestre de 2026, ficando atrás apenas da BlackRock.

O modelo de autocustódia por meio da Fidelity Digital Assets e a taxa de 0,25% tornaram a empresa uma das principais escolhas entre alocadores institucionais voltados para compliance.

Grayscale preserva seu legado

Já a Grayscale Investments segue como a mais antiga e diversificada gestora voltada para cripto, atuando desde 2013.

O Bitcoin Trust (GBTC) mantinha cerca de 154.710 BTC até o momento desta análise, avaliados em aproximadamente US$ 10 bilhões. O Bitcoin Mini Trust (BTC), com taxa menor, acrescentou outros US$ 3,4 bilhões, conforme informações da Grayscale.

As saídas líquidas do GBTC desaceleraram para US$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2026, uma queda expressiva em relação aos múltiplos bilhões mensais registrados em 2024.

No Strategy buy announcement this week.

But let's talk about what just happened in Q1 2026. 🟠

📊 Q1 2026 Numbers:
– 89,599 BTC acquired
– $5.5 BILLION deployed
– 2nd highest quarter in Strategy history
– Buying ~2.5x faster than global mining
– Supply vacuum: 53,149 BTC… pic.twitter.com/QbdzEPjw3n

— Tyler Rowe (@TylerCompiler) March 30, 2026

O total da plataforma da grayscale ultrapassou US$ 35 bilhões em ativos sob gestão no fim de 2025, mantendo o portfólio de produtos mais diversificado, com uma lista de observação de 36 ativos para possíveis futuros lançamentos de ETF.

Bitwise destaca-se em variedade e exposição a altcoins

Em outro cenário, a Bitwise Asset Management ultrapassou US$ 15 bilhões em ativos de clientes em mais de 40 produtos. Esses produtos abrangem ETFs, contas administradas separadamente, fundos privados, estratégias de hedge e staking.

O grande diferencial da empresa está nos ETFs de Solana. No início de janeiro de 2026, a Bitwise detinha aproximadamente 67% de todo o patrimônio de ETFs de Solana, correspondendo a US$ 731 milhões dos US$ 1,09 bilhão totais.

Solana ETFs have surpassed $1B in AUM

– Bitwise’s $BSOL leads with ~$681M
– Grayscale $GSOL ~$171M
– Fidelity $FSOL ~$126M pic.twitter.com/UQNH9Zsdnq

— ETF Tracker (@TheETFTracker) January 6, 2026

O BSOL Solana Staking ETF alcançou US$ 500 milhões em ativos em apenas 18 dias de negociação. Essa estratégia de rendimento baseada em staking atraiu instituições que buscam alternativas à simples exposição ao Bitcoin.

Galaxy Digital aposta na visão de longo prazo

A Galaxy Digital atua como um banco de investimentos completo, e não apenas como emissora de ETFs. Sua divisão de gestão de ativos registrou US$ 9 bilhões em ativos, com entradas líquidas de US$ 2 bilhões no terceiro trimestre de 2025.

Ao final de 2025, os ativos totais da plataforma atingiram US$ 12 bilhões, mesmo após reportar prejuízo de US$ 482 milhões no quarto trimestre.

NOVOGRATZ’S GALAXY POSTS $482M LOSS IN CRYPTO CRASH

Galaxy Digital reported a $482 million loss in the fourth quarter, far worse than expected, as falling crypto prices hit its portfolio. Bitcoin dropped 23% during the period, trading volumes fell 40%, and the firm’s shares slid…

— *Walter Bloomberg (@DeItaone) February 3, 2026

A Galaxy é parceira da State Street Global Advisors em ETFs de ativos digitais com gestão ativa e mantém exposição em trading, empréstimos, staking e venture capital.

O modelo híbrido torna a companhia referência para instituições que demandam mais do que acesso passivo a ETFs.

A corrida pela gestão de ativos cripto em 2026 já apresenta uma hierarquia clara.

  • A BlackRock lidera pela escala

  • Fidelity pela confiança institucional

  • Grayscale pela história e abrangência

  • Bitwise pela inovação dos produtos, e

  • Galaxy pela infraestrutura completa

Ressalta-se ainda o Morgan Stanley, que ainda não entrou na disputa, mas pode transformar totalmente o cenário.

A aposta de US$ 160 bilhões do Morgan Stanley pode redesenhar todo o ranking

O banco protocolou uma S-1 revisada para seu ETF spot de Bitcoin, o MSBT, com taxa de 0,14%, inferior à de todos os concorrentes, incluindo os 0,25% da BlackRock.

Seria o primeiro ETF spot de Bitcoin emitido diretamente por um grande banco dos EUA, em vez de uma gestora de ativos. Porém, esse ETF é apenas uma parte do projeto.

  • O Morgan Stanley também solicitou uma licença federal para operar um banco fiduciário nacional, por meio da subsidiária Morgan Stanley Digital Trust. A unidade cuidaria de custódia, trading, staking e transferências de ativos digitais sob supervisão federal.

  • O banco ainda prepara o lançamento de negociação de cripto para pessoas físicas via E*Trade no primeiro semestre de 2026 e estuda novos produtos de empréstimos e rendimentos em Bitcoin.

Com US$ 8 trilhões em ativos de gestão patrimonial e mais de 16 mil assessores, mesmo uma alocação modesta de 2% representaria US$ 160 bilhões em possível demanda, cerca de três vezes o tamanho do IBIT.

Morgan Stanley Wealth Management oversees about $8 trillion in AUM and recommends 0–4% bitcoin allocation. A 2% allocation would represent $160 billion, ~3X the size of IBIT. $MSBT: Monster Bitcoin. https://t.co/TNYLYRXPiz

— Phong Le (@phongle) March 20, 2026

Se todas essas frentes avançarem juntas, o Morgan Stanley não apenas entraria na disputa cripto. Ele estaria construindo toda a pista.

“Eles não estão mais apenas oferecendo exposição, estão estruturando toda a arquitetura. BNY Mellon + Coinbase como custodiante dupla é uma redundância inteligente”, destacou um usuário em publicação no X.

Com os ETFs de Bitcoin à vista já acumulando mais de US$ 128 bilhões em patrimônio sob gestão somado, a dúvida já não é mais se as instituições vão aderir à cripto. Agora, o foco está nos gestores que irão captar a próxima onda de capital.

O artigo 5 gestoras de ativos que controlam a cripto de Wall Street em 2026 foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.