A OranjeBTC, considerada a maior empresa de tesouraria em Bitcoin da América Latina, fechou o primeiro trimestre de 2026 no vermelho, com prejuízo líquido de R$ 460,7 milhões. O tombo veio, principalmente, da queda no preço da moeda digital no período e do ajuste contábil feito sobre a reserva de bitcoins da companhia.
Conforme o balanço divulgado pela empresa, o maior peso no resultado foi uma despesa de R$ 466,8 milhões ligada à reavaliação do Bitcoin pelo valor de mercado. Em outras palavras, como a criptomoeda perdeu valor entre janeiro e março, isso acabou impactando as contas da empresa no papel. A OranjeBTC ressaltou que essa perda é contábil, ou seja, não representa saída de dinheiro do caixa nem mudança na quantidade de bitcoins guardados pela companhia.
No fim de março, a empresa mantinha 3.723 bitcoins em caixa, praticamente o mesmo volume registrado no fechamento de 2025. Essa reserva estava avaliada em cerca de R$ 1,33 bilhão, considerando um preço médio de R$ 356,1 mil por unidade de Bitcoin.
Na carta aos acionistas, a companhia destacou que o começo do ano foi marcado por muita oscilação no mercado de criptomoedas e por um cenário complicado para empresas que trabalham com tesouraria em Bitcoin no mundo todo. Mesmo assim, afirmou continuar acreditando que o Bitcoin deve ganhar cada vez mais espaço dentro do sistema financeiro global.
A empresa também disse que segue trabalhando para fortalecer sua posição no Brasil, apostando em gestão de tesouraria, expansão da marca e criação de novos produtos ligados ao universo do Bitcoin.
Durante o trimestre, a OranjeBTC recomprou 274,2 mil ações da própria companhia, investindo cerca de R$ 2,2 milhões. Segundo a empresa, a medida foi tomada porque a direção enxergava as ações sendo negociadas abaixo do valor considerado justo em relação à reserva de Bitcoin.
Mesmo com a turbulência no mercado, a companhia iniciou ainda uma estratégia de usar parte da reserva em Bitcoin como garantia para operações financeiras. Uma dessas movimentações trouxe retorno de R$ 262 mil no trimestre.
Ao fim de março, a OranjeBTC tinha R$ 68,5 milhões em caixa e equivalentes, além de uma dívida de curto prazo de R$ 52,4 milhões. Tirando essa dívida da conta, sobravam R$ 16,1 milhões líquidos em caixa.
O resultado gerencial da empresa — que desconsidera efeitos puramente contábeis e itens sem impacto no caixa — ficou negativo em R$ 2,6 milhões. Ainda assim, a companhia manteve a expectativa de alcançar equilíbrio operacional até o fim de 2026.
A base de investidores também cresceu forte. A empresa encerrou março com 8.579 acionistas, número 65% maior do que no fim do ano passado.
“A tesouraria em Bitcoin é só o começo da OranjeBTC”, afirmou a companhia. “O objetivo é construir uma empresa capaz de acumular Bitcoin com disciplina, ensinar o mercado e acelerar a adoção do chamado Padrão Bitcoin no Brasil.”
