A Hyperliquid deu foi um passo danado de estratégico que pode mexer bastante na forma que o dinheiro das stablecoins é repartido no mercado cripto. De acordo com uma análise publicada pelo CoinDesk, o novo acordo fechado com a Coinbase e a Circle vai permitir que a plataforma fique com uma boa parte dos rendimentos gerados pelos depósitos em USDC dentro do protocolo.

Com esse acordo, o USDC passa a ser a principal moeda usada como referência na Hyperliquid através de um modelo chamado “Aligned Quote Asset” (AQA). Na prática, a Circle continua cuidando da emissão e do resgate do USDC, enquanto a Coinbase fica responsável pela administração das reservas da stablecoin na rede.

Mas o que mais chamou atenção do povo do mercado foi a divisão dos ganhos. Segundo os analistas, a Hyperliquid pode acabar ficando com até 90% dos rendimentos gerados pelas reservas em USDC depositadas na plataforma — uma grana que antes ficava mais concentrada entre Circle e Coinbase.

Pra Ryan Watkins, cofundador da Syncracy Capital, esse trem pode ter sido o anúncio mais importante da Hyperliquid neste ano. “Quanto mais eu penso nessa parceria com a Coinbase, mais acredito que foi o maior anúncio da Hyperliquid em 2026”, escreveu ele na rede X.

Segundo Watkins, essa mudança mexe forte no modelo de negócio da plataforma, porque agora ela ganha uma nova fonte de receita além das taxas cobradas nas negociações. Isso fortalece ainda mais a expectativa de valorização do token HYPE, que já subiu 17% na última semana, mesmo com o mercado cripto passando aperto.

“O compartilhamento dos rendimentos faz a receita da Hyperliquid crescer mais com os depósitos feitos na plataforma, e não só com o volume de trade”, explicou.

Hoje, a Hyperliquid já tem mais de US$ 5 bilhões em USDC dentro do ecossistema. Pelas contas de Watkins, isso poderia render algo entre US$ 135 milhões e US$ 160 milhões por ano só nessa divisão de yield. E se os depósitos continuarem aumentando, esse valor pode bater entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões anuais só com essa nova estrutura.

Pressão em cima da Circle e da Coinbase

Se por um lado a Hyperliquid pode sair ganhando uma nova fonte pesada de receita, por outro o acordo também acendeu um alerta sobre o impacto financeiro pra Circle e Coinbase.

Analistas da Compass Point calculam que o acordo pode cortar entre US$ 60 milhões e US$ 80 milhões do Ebitda anual combinado das duas empresas. “Também enxergamos o risco de outros protocolos DeFi começarem a exigir acordos parecidos de compartilhamento de rendimento”, escreveram Ed Engel e Mike Donovan.

Na visão deles, o setor pode estar entrando numa nova fase, onde protocolos e exchanges com muitos usuários passam a ganhar mais força nas negociações com as empresas emissoras de stablecoins.

Já pra Paul Howard, diretor sênior da Wincent, o mercado pode caminhar pra um cenário com menos moedas competindo entre si e uma liquidez mais concentrada. “Talvez o que a gente esteja vendo agora seja o começo duma consolidação no mercado de stablecoins”, afirmou.