Uai, sô, na manhã de terça-feira rolou uma movimentação daquelas no mercado: um pacotão de ações do ETF de Bitcoin da BlackRock, o tal do IBIT, foi negociado num dark pool e bateu cerca de US$ 1,3 bilhão. Foi uma das maiores operações fora da bolsa desde que esses ETFs de Bitcoin começaram a rodar, faz uns 15 meses.

Foram quase 29 milhões de ações negociadas por volta das 10h30 da manhã no horário de Nova York, passando na frente de todas as outras negociações do dia. E isso aconteceu bem na hora em que os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos continuaram sofrendo retirada de grana. Só o IBIT teve saída líquida de uns US$ 192,4 milhões na terça-feira, de acordo com os dados da SoSoValue.

Ô trem, considerando todos os ETFs de Bitcoin à vista, a semana já acumulava saída líquida de uns US$ 334 milhões até terça-feira. E isso veio depois de duas semanas seguidas de retirada pesada, passando de US$ 1 bilhão e US$ 1,26 bilhão em resgates. O povo do mercado tá mais arisco que gato em telhado quente.

Essa negociação gigante mostrou bem o aperto que o mercado tá passando: teve instituição grande despejando posição fora da bolsa, num dark pool, justamente pra não bagunçar demais o livro de ofertas. Mesmo assim, o preço do Bitcoin sentiu o tranco, só que de forma mais controlada, segundo os especialistas ouvidos.

Pra simplificar: dark pool é tipo uma negociação feita mais escondida, direto com corretora, sem jogar tudo no mercado aberto de uma vez. Aí evita aquele susto danado nos preços.

Depois dessa movimentação, o Bitcoin até segurou relativamente firme ali na faixa dos US$ 76 mil, conforme dados do CoinGecko. Mas olhando mais de perto, a conversa muda um bocado. Em períodos menores, a moeda caiu quase 1,4%, saindo de US$ 78 mil pra perto de US$ 77 mil durante a pressão de venda, segundo Georgii Verbitskii, fundador da TYMIO e trader de derivativos.

Segundo ele, se a queda não foi pior, é porque o mercado ainda deu conta de absorver uma boa quantidade de venda sem faltar liquidez de vez.

Shawn Young, analista-chefe da MEXC Research, concordou com essa visão. Ele falou que o mercado reagiu logo depois da operação aparecer, mas sem pânico exagerado, porque pareceu mais um reajuste grande de carteira do que uma liquidação desesperada.

Enquanto isso, o humor dos investidores foi piorando mais ainda. O índice Fear and Greed caiu de 34 pra 25, entrando mais fundo na área do medo.

Já o pessoal do mercado de previsões Myriad ainda acredita mais numa subida do Bitcoin pra US$ 84 mil do que numa queda pra US$ 55 mil. Mesmo assim, o otimismo diminuiu: a chance caiu de 79% pra 69% desde segunda-feira. No momento, o Bitcoin tava sendo negociado perto de US$ 75.825, com queda de 1,9% no dia, segundo o CoinGecko.

E daqui pra frente? Os especialistas acham que, mesmo com o dark pool ajudando a esconder parte da pressão de venda, o saldo ainda foi ruim pro mercado.

Verbitskii comentou que isso mostra uma fonte grande de demanda saindo do jogo. Segundo ele, o Bitcoin anda mostrando fraqueza tanto na parte técnica quanto na estrutura do mercado, e ainda não apareceu demanda forte o suficiente pra compensar essas vendas pesadas das instituições.

O Bitcoin também vem penando pra voltar com força desde que falhou em retestar os US$ 82 mil lá no começo de maio. Além disso, os dados da inflação nos EUA vieram mais altos e aumentaram a pressão no mercado. Agora, praticamente todo mundo aposta que o Federal Reserve vai manter os juros do jeito que tá na reunião de 17 de junho.

Mesmo com esse cenário meio azedo, Shawn Young disse que o mercado de ETFs ainda segue funcionando de forma organizada. Mas, na visão dele, as instituições tão aproveitando pra reduzir risco ou reorganizar as posições depois da forte alta que aconteceu antes.