Abelardo de la Espriella superou ontem Iván Cepeda no segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia. O presidente eleito chega com uma proposta que promete levar a tecnologia blockchain para as contratações públicas.

Essa mudança política levanta questões importantes sobre o futuro do ecossistema cripto colombiano e sua regulação.

Quem é Abelardo de la Espriella e o que representa sua vitória para a Colômbia e a América Latina?

Abelardo de la Espriella é advogado criminalista, empresário e figura da mídia. Ele construiu sua candidatura fora dos partidos tradicionais, embora tenha contado com apoio de setores conservadores. Seu movimento, Defensores de la Patria, conduziu a campanha sob o conceito de “Patria Milagro”.

Ha triunfado la dignidad nacional, ha triunfado la esperanza.

Hoy es una noche maravillosa en que brilló la democracia y Colombia demostró su grandeza.

Esta es la noche en la que marcamos un nuevo orden: la Patria Milagro.

Firme por la Patria. 🫡
(A.D.L.E) 🇨🇴🐅 pic.twitter.com/aaaWi0ZM8p

— Abelardo De La Espriella (@ABDELAESPRIELLA) June 22, 2026

A vitória representa uma guinada política à direita após o governo de Gustavo Petro. O programa de De la Espriella une restauração institucional, fortalecimento do Estado, postura rígida em segurança, redução da máquina pública e defesa aberta de valores conservadores.

O resultado colombiano faz parte de uma tendência regional clara. A América do Sul vive um movimento à direita depois de anos de governos progressistas. Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador e Santiago Peña no Paraguai abriram caminho com vitórias decisivas em seus países.

A onda pode avançar. A Bolívia elegeu seu novo presidente em outubro de 2025 e encerrou os governos do partido Movimiento al Socialismo. Um mês depois, o Chile aderiu ao grupo de governos de centro-direita após a vitória de José Antonio Kast.

A postura internacional de De la Espriella rompe com a administração anterior. O novo presidente eleito aproxima-se de Donald Trump e apoia os modelos de Nayib Bukele em El Salvador e Daniel Noboa no Equador. Em relação à Venezuela, ele mantém posição crítica em relação ao governo.

O próprio Noboa celebrou o resultado nas redes sociais. Após o primeiro turno em 31 de maio, o presidente equatoriano escreveu no X: “Parabéns a @ABDELAESPRIELLA por esta vitória!” O apoio reflete a afinidade regional entre os novos líderes da direita latino-americana.

A aproximação de Trump e Bukele é decisiva para o setor cripto. Bukele tornou o Bitcoin moeda de curso legal em El Salvador, enquanto Trump impulsiona uma agenda pro-cripto histórica a partir de Washington durante seu segundo mandato presidencial.

A proposta blockchain de De la Espriella e o que pode mudar para a indústria cripto?

O cerne da proposta tecnológica não é o Bitcoin como ativo monetário, mas o blockchain enquanto infraestrutura para transparência governamental. O programa “Blockchain 2030” sugere registrar as contratações públicas em sistemas rastreáveis e auditáveis em todo o território nacional.

A proposta combina blockchain com inteligência artificial no sistema de identificação da DIAN, segurança pública, tributos e uma redução geral da máquina estatal colombiana.

A mudança pode ser expressiva para o setor local. Uma agenda com menor carga tributária, maior abertura ao capital privado e digitalização dos serviços públicos pode criar um ambiente mais favorável para empresas de blockchain, fintechs, tokenização, identidade digital e auditorias descentralizadas na Colômbia.

Colombia's Bukele? Abelardo De La Espriella Surges Ahead

A presidential candidate in Colombia just got 10.3M votes – the highest first-round total in the
country's history. @ABDELAESPRIELLA platform includes putting 100% of public contracts on blockchain by 2030.

This
is… pic.twitter.com/gm9rhB7Ji6

— Andres Meneses (@andreswifitv) June 2, 2026

As stablecoins também devem ganhar espaço. Segundo dados fornecidos pela Valora Analitik, mais da metade das compras de cripto feitas por colombianos termina em stablecoins. O movimento revela uma “dolarização digital” silenciosa, porém significativa.

O mercado de remessas reforça esse potencial. A Colômbia recebeu US$ 13,09 bilhões em remessas em 2025, um crescimento de 10,6% em relação a 2024. Muitos usuários agora utilizam stablecoins para transferir esses valores, pois elas são mais rápidas e econômicas que o sistema bancário tradicional.

Ainda assim, a vitória não implica a adoção oficial do Bitcoin como moeda de curso legal, tampouco contempla a formação de uma reserva estatal em BTC.

“… Este não é o experimento com Bitcoin de El Salvador. Não se trata de adotar uma moeda como curso legal. A proposta é usar blockchain como infraestrutura para transparência governamental. Contratos inteligentes para licitações públicas. Gastos auditáveis por cidadãos. Registros imutáveis”, ressaltou o analista Andrés Meneses no X.

Como isso se compara à postura de Gustavo Petro?

Gustavo Petro manteve uma postura tímida em relação ao setor de cripto durante seu mandato. O governo avançou no projeto do peso digital do Banco Central, porém nunca apresentou regulações específicas para as criptomoedas, mantendo o setor em uma área cinzenta.

O contraste com De la Espriella é expressivo. Enquanto o governo Petro priorizou uma moeda digital sob comando estatal, o novo presidente aposta em blockchain descentralizado para ampliar a transparência no setor público e busca maior abertura ao mercado privado no país.

A diferença ideológica também traz efeitos internacionais. Petro construiu parcerias com governos de esquerda, incluindo o de Maduro na Venezuela. De la Espriella se alinha com Trump, Bukele e Noboa, o que pode reorganizar rapidamente a geopolítica das criptos na região.

Por outro lado, o novo governo precisará enfrentar o desafio de proteger usuários contra esquemas de pirâmide sem sufocar a inovação tecnológica.

Com De la Espriella confirmado como presidente eleito, a Colômbia pode se tornar um novo polo regional para blockchain estatal, stablecoins e serviços de fintech. Essa mudança acompanha a onda pró-cripto que já marca boa parte da América Latina neste ciclo político.

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