A OpenAI estreou no Cannes Lions esta semana, apresentando anúncios do ChatGPT para os principais profissionais de marketing do mundo. A recepção foi discreta.

A Anthropic ironizou a iniciativa em um anúncio do Super Bowl no início do ano, retratando a publicidade em chatbots como algo incômodo e intrusivo. Mesmo assim, a OpenAI seguiu adiante, já de olho em um IPO planejado.

Anúncios no ChatGPT: aposta alta e público cético

David Dugan, diretor global de publicidade da OpenAI e ex-vice-presidente da Meta, afirmou a jornalistas que a empresa está “totalmente dedicada” a transformar a publicidade em uma importante fonte de receita. Segundo ele, cerca de 20% das buscas no ChatGPT têm intenção comercial direta, com destaque para viagens, varejo, saúde, beleza e serviços financeiros.

A OpenAI informou a investidores que pode expandir o setor de publicidade para um negócio de US$ 100 bilhões até 2030. Esse número representa quase metade da receita anual de anúncios da Meta atualmente. No entanto, executivos seniores de publicidade em Cannes criticaram a estimativa. Alguns disseram ao Financial Times que a OpenAI precisa de ferramentas mais robustas de segmentação e mensuração antes de desafiar de fato o domínio do Google no mercado de buscas publicitárias.

Usuários e equipe resistiram primeiro

A resistência vista em Cannes reflete uma reação ainda mais intensa ocorrida quando a OpenAI lançou anúncios em fevereiro. Muitos consumidores se opuseram desde o início, e a empresa enfrentou uma reação negativa no fim do ano passado ao testar sugestões de aplicativos semelhantes a promoções indesejadas. Assinantes pagos mostraram forte insatisfação, argumentando que a cobrança mensal deveria garantir uma experiência sem anúncios.

A pesquisadora da OpenAI, Zoë Hitzig, pediu demissão quando os testes de anúncios começaram, alegando sérias preocupações. Ela apontou que a empresa detém “o registro mais detalhado do pensamento privado humano já reunido” e alertou que publicidade baseada nesse material pode manipular usuários de uma forma que as ferramentas atuais não conseguem prever ou impedir.

A Anthropic agiu rapidamente para explorar a polêmica. A empresa veiculou anúncios no Super Bowl ironizando a publicidade pouco assertiva dos chatbots e apresentou Claude como alternativa mais ética. Sam Altman, CEO da OpenAI, respondeu dizendo que Claude é um “produto caro” voltado para “pessoas ricas”.

A OpenAI gastou US$ 34 bilhões no ano passado e ainda não registra lucro. O registro para IPO da companhia mira um valor de mercado superior a US$ 1 trilhão. Se Cannes irá atrair anunciantes ou tranquilizar investidores do IPO pode depender de a OpenAI desenvolver as ferramentas de mensuração que o setor ainda considera insuficientes.

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