As ações da SpaceX (SPCX) registraram queda de cerca de 16% ontem (22), após a companhia confirmar sua primeira oferta de títulos. A desvalorização representou o pior desempenho em um único pregão desde a estreia em 12 de junho e prolongou a sequência negativa para três sessões consecutivas.
Os papéis encerraram cotados a US$ 154,60, apenas 14% acima do valor de IPO fixado em US$ 135 e cerca de 31% abaixo da máxima histórica de US$ 225,64.
Por que as ações da SPCX estão caindo?
A SpaceX protocolou junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos uma oferta de notas seniores sem garantia para investidores institucionais qualificados. Não houve divulgação dos preços, mas a Bloomberg informou que a operação tem como alvo pelo menos US$ 20 bilhões.
A SpaceX pretende utilizar os recursos captados para quitar um empréstimo-ponte contratado no início deste ano, quando adquiriu a startup xAI, de Elon Musk, em fevereiro. Bank of America, Citigroup, JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Morgan Stanley realizaram aquele financiamento e serão responsáveis pela nova emissão, conforme informou a Reuters.
Jose Torres, economista-sênior da Interactive Brokers, afirmou a clientes que “investidores estão cautelosos diante do montante elevado de recursos necessários para financiar as ambições tecnológicas”.
A queda após o IPO em contexto
A estreia histórica da SpaceX na Nasdaq movimentou US$ 75 bilhões a um preço de US$ 135 por ação. Após iniciar negociada a US$ 150 e atingir US$ 225,64 até 16 de junho, a companhia chegou a figurar entre as cinco maiores do mundo em valor de mercado, superando Amazon e Microsoft. No entanto, a retração posterior eliminou grande parte desses avanços.
Diversos fatores pressionam o desempenho. A aquisição da Cursor por US$ 60 bilhões intensificou a diluição dos acionistas. Segundo projeção da S&P Global, o fluxo de caixa livre permanecerá negativo até 2029, devido às necessidades contínuas de capital para o Starship e iniciativas de IA.
O fim dos períodos de lockup representa mais um risco. Jeff Jacobson, estrategista da 22V Research, estima que até 44% das ações em circulação possam ser vendidas por insiders até o início de setembro, ampliando o free float disponível atualmente em aproximadamente 900%.
A SpaceX também revelou possuir US$ 100,8 bilhões em caixa até 19 de junho. As agências Fitch e Moody’s atribuíram avaliações de grau de investimento aos títulos propostos, citando a receita recorrente do Starlink e a posição dominante da SpaceX em lançamentos espaciais.
Se esses pontos positivos serão suficientes para restaurar a confiança dependerá do primeiro balanço público da empresa, previsto para 6 de agosto.
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