Ataques entre os dois países elevam a aversão ao risco, impulsionam o petróleo e pressionam o mercado global de criptomoedas
O mercado de criptomoedas voltou a enfrentar um dia de forte cautela depois que o conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo. A troca de ataques aéreos entre os dois países e as declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o fim do cessar-fogo aumentaram a tensão internacional e provocaram uma rápida reação dos investidores.
Com o ambiente de incerteza a crescer, ativos considerados mais arriscados perderam força, enquanto o petróleo voltou a subir e o dólar manteve-se fortalecido.
O Bitcoin, principal criptomoeda do mercado, acompanhou esse movimento e registou queda durante o pregão asiático. A moeda chegou a ser negociada perto de US$ 62.657, acumulando recuo de quase 1% em relação ao início do dia, segundo dados da CoinDesk.
O movimento negativo também atingiu outras criptomoedas de grande capitalização. Ethereum, XRP e Solana registaram perdas entre 1% e 2,3%, refletindo um sentimento de maior prudência por parte dos investidores.
Declarações de Trump ampliam incertezas
A pressão sobre os mercados aumentou depois que Donald Trump afirmou que o acordo de entendimento e o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã deixaram de existir.
Ao comentar a situação, o presidente declarou que, na sua avaliação, o cessar-fogo havia chegado ao fim e fez duras críticas à liderança iraniana, classificando-a como pouco confiável e afirmando que negociar com o país representava perda de tempo.
As declarações ocorreram após uma nova troca de ataques entre as duas nações.
Segundo informações divulgadas pelos Estados Unidos, forças norte-americanas realizaram ataques considerados de grande intensidade contra alvos iranianos depois de incidentes envolvendo três embarcações no Estreito de Ormuz, incluindo petroleiros ligados ao Catar e à Arábia Saudita.
Em resposta, o Irã afirmou ter lançado ataques contra 85 instalações militares norte-americanas, apresentando a operação como retaliação aos bombardeamentos realizados nas províncias iranianas de Hormozgan e Mahshahr.
Petróleo sobe e mercado procura proteção
A deterioração do cenário geopolítico voltou a impulsionar os preços da energia.
Os contratos futuros do petróleo WTI avançaram mais de 2%, alcançando cerca de US$ 72,27 por barril, enquanto o índice do dólar permaneceu acima dos 101 pontos, preservando os ganhos registados anteriormente.
A valorização simultânea do petróleo e do dólar reforçou o movimento de procura por ativos considerados mais seguros em momentos de tensão internacional.
Conflito alimenta receios sobre inflação e juros
O atual cenário também reacende preocupações relacionadas à inflação global.
Desde o início da guerra envolvendo o Irã, no final de fevereiro, os mercados acompanham com atenção o impacto da instabilidade sobre o preço da energia. Em determinado momento, o petróleo chegou a ultrapassar os US$ 100 por barril, aumentando os receios de novas pressões inflacionárias em diversas economias.
Embora os preços tenham recuado posteriormente para níveis inferiores a US$ 60, as expectativas de inflação entre consumidores continuam elevadas, mantendo o mercado atento à possibilidade de novas decisões de política monetária por parte dos principais bancos centrais.
Taxas de juros mais elevadas costumam reduzir o interesse por ativos de maior risco, como as criptomoedas, já que investidores tendem a direcionar recursos para aplicações consideradas mais seguras, como títulos públicos.
Enquanto o cenário geopolítico permanece instável, o mercado de ativos digitais continua sensível às notícias vindas do Oriente Médio, acompanhando de perto qualquer acontecimento que possa alterar o equilíbrio dos mercados financeiros globais.
