O Bitcoin (BTC) recuou até sua média móvel de 200 semanas, próxima de US$ 62 mil, tocando esse suporte de longo prazo pela primeira vez neste ciclo. No mesmo momento, o famoso Rainbow Chart entrou em sua faixa de fire-sale.
Ambos os sinais historicamente indicaram zonas de forte acumulação. No entanto, nenhum deles conseguiu atuar como piso claro durante o último mercado de queda, o que mantém distante a confirmação de um fundo.
Média móvel de 200 semanas do Bitcoin se transforma em teste crucial
A média móvel de 200 semanas suaviza aproximadamente quatro anos de fechamentos semanais. No momento, está em torno de US$ 62 mil, próximo da marca de US$ 61.800 indicada pelo analista Benjamin Cowen.
O Bitcoin era negociado a US$ 62.227 no momento desta reportagem, queda de cerca de 0,3% no dia. O número, entretanto, esconde a gravidade do cenário em períodos mais longos. O candle semanal despencou em torno de 15%, levando imediatamente a cotação até a média móvel.
No gráfico logaritmo semanal de longo prazo, essa média funcionou como suporte nos mercados de baixa desde o início de 2015. O Bitcoin tocou nesse patamar em dezembro de 2018 e novamente durante o crash da COVID em março de 2020. Em ambas ocasiões (círculos azuis), houve recuperação expressiva.
O ciclo anterior foi diferente. O preço ficou levemente abaixo da linha em junho de 2022 e agosto de 2023. Entre agosto de 2022 e março de 2023, passou quase sete meses sendo negociado abaixo da média (elipse vermelha).
Junho de 2026 representa a primeira vez em que o Bitcoin retorna para esse nível neste ciclo. Cowen trata o movimento como um evento recorrente, quase programado.
“… É exatamente isso que o Bitcoin faz… a cada quatro anos, aproximadamente, o Bitcoin tem um encontro marcado com a média móvel de 200 semanas”, afirmou Cowen em um vídeo recente.
Rainbow Chart exibe seu sinal de compra mais raro
O Rainbow Chart do Bitcoin mostra dinâmica semelhante sob outro ângulo. O instrumento compara o preço com faixas coloridas em escala logarítmica, variando de “Maximum Bubble Territory” no topo a “Fire sale” na base.
O preço permaneceu a maior parte do tempo se movimentando entre essas bandas superiores e inferiores. A faixa azul-escuro, chamada fire-sale, está na base do gráfico e é raramente atingida.
O Bitcoin tocou essa região apenas uma vez recentemente, durante o colapso da FTX em novembro de 2022. De acordo com o Rainbow Chart, o ativo retornou ao mesmo patamar de fire-sale em junho de 2026.
A faixa reflete medo extremo e valores historicamente atrativos. Para investidores de longo prazo, esse patamar costuma representar uma das janelas de acumulação mais favoráveis já registradas.
Por que a média de 200 semanas pode não ser o piso?
A leitura otimista carrega uma ressalva evidente. Nenhum desses sinais garante a formação de um fundo, e Cowen deixa explícito o risco envolvido.
“… Infelizmente, no ciclo passado não funcionou. Fomos para baixo da média… Não posso afirmar com clareza que não vamos cair ainda mais.”
A história reforça esse alerta. Logo abaixo da linha de 200 semanas está a média móvel de 300 semanas, por volta de US$ 54 mil, que acompanha de perto o preço realizado do Bitcoin. Em 2022, o preço quase chegou a esse nível antes de se recuperar.
Dados cíclicos também moderam a expectativa de fundo. O Bitcoin acumula queda de cerca de 29% a 30% em relação à abertura do ano. Cowen lembra que anos eleitorais de meio de mandato mostraram recuos próximos de 32% até aqui, sinalizando um comportamento dentro do padrão sazonal e não em território atípico.
Essa comparação mantém a projeção de um possível fundo para outubro como cenário básico do analista. Parte dos observadores de rede, principalmente quem acompanha a média de 200 semanas como sinal estrutural de alta, adota leitura construtiva para os atuais patamares.
Níveis de preço do Bitcoin que vão definir junho
As próximas semanas devem esclarecer o cenário. Se o Bitcoin sustentar a média móvel de 200 semanas até o fim de junho, um movimento de reação em julho será mais provável.
Se perder essa média, o caminho fica aberto para a região de US$ 54 mil, onde a média de 300 semanas e o preço realizado se encontram. Esse patamar representa o suporte mais relevante para investidores de longo prazo.
Pelo lado otimista, o Bitcoin precisa retomar sua faixa anterior e sustentar alta acima da média de 200 semanas, anulando assim o cenário de queda. Até lá, o contexto sugere cautela na tomada de decisão.
Catalisadores macroeconômicos podem definir o rumo do mercado. O Federal Reserve se reúne em 17 de junho, juntamente com uma decisão do Banco do Japão que pode desfazer o carry trade e pressionar ativos de risco. O Bitcoin segue aproximadamente 50% abaixo do seu recorde histórico de outubro de 2025, de US$ 126.080.
O cenário é raro e tem relevância histórica. Se junho de 2026 marcará o piso do ciclo ou apenas uma parada no movimento de queda depende de o desfecho desse momento crucial resultar em suporte ou capitulação.
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